Olá, pessoal!
Conforme informarmos no nosso Twitter, chegou o momento de divulgarmos o resultado da promoção com a escritora e compositora Fernanda Mello, em homenagem ao dia do escritor. Podemos adiantar que não foi naaaada fácil para a Fê escolher apenas um texto, pelo contrário. Recebemos conteúdos bacanas e com muita qualidade, o que tornou a seleção muito mais difícil e a vontade de presentear todo mundo maior. Desde já, gostaríamos de agradecer cada participante. Amamos ler a arte de vocês.

Dos textos que recebemos (e a Fernanda gostou de todos), um chamou a atenção dela, em especial, pela personalidade da escrita. Foi o texto “Noção de mim”, da escritora Gabriela Castro. Por conta disto, a Gabi já pode abrir o sorrisão, pois é a grande vencedora da promoção e vai ganhar o primeiro – esperamos que de muitos – livro da Fê, “Princesa de Rua”.

Ficaram curiosos? Então, segue o texto da Gabriela com o nosso agradecimento especial à Fernanda, que gentilmente aceitou participar conosco. O nosso objetivo é valorizar a arte, a leitura e as diversas formas de manifestá-la.

Noção de mim

Por: Gabriela Castro

Eu sinto um medo de ser bruma, de ser pluma, de ser leve e ser levada. Eu tenho medo, mas não aquele medo que domina, que impede, que seqüestra; é o medo pelo seu melhor lado, do seu melhor jeito. Um medo que traz implícito as borboletas para dentro do estômago, junto com a quase certeza de que voar é bom. Sim, eu quero ser levada. Eu quero descobrir o jeito certo de existir, e o modo exato para ouvir os pensamentos que ainda têm um bocado de você. Tentei equilibrar as lágrimas, mas elas pesaram e caíram até virar palavra. Cansei de mal-me-quer, de levar o caos no peito e de sentir falta de tudo o que eu não vi, vivi ou conheci. Tenho saudade de tudo o que eu teria visto, vivido e conhecido se eu não estivesse aqui, esperando por você, por um momento, por uma vida, por enquanto. Eu queria me engolir para ver se me caibo, se me encaixo, se me paro aqui dentro, dentro de mim. E eu, que nunca me fui tanto, não me sou agora e talvez volte a ser; não por muito tempo, mas talvez pra sempre. Eu não sou mais a mesma, assim como ninguém o é depois de ter amado. Mas, eu não quero precisar de alguém para me lembrar sobre quem sou. Quero ter a minha própria noção de mim.